
O maior desafio do milênio é o grande volume de lixo e materiais inservíveis que o planeta produz diariamente, cerca de 2 bilhões de toneladas. No Brasil, de acordo com dados de 2021, 96% dos resíduos sem qualquer tipo de tratamento são encaminhados aos aterros sanitários. Isso quando chega ao aterro.
Quando uma cidade se propõe a cumprir compromissos socioambientais e pôr em prática o desenvolvimento sustentável, a saída é buscar soluções para os resíduos sólidos e geração de energias renováveis com vistas a evitar riscos ao meio ambiente e à saúde pública.
Um projeto do outro lado do mundo prova que é possível minimizar o grande volume de resíduos urbanos em aterros e ainda gerar energia limpa a partir do lixo. Colocada em prática, outro ganho social pode ser obtido além de economia aos cofres públicos, com a atividade econômica que passa a impulsionar a geração de emprego e renda.
Cidade Sustentável - O prefeito de Pindamonhangaba, Dr. Isael Domingues, e a secretária de Meio Ambiente, Maria Eduarda San Martin, foram convidados a participar na quarta-feira (6) de uma visita à usina Dubai Waste Management Center. Nos Emirados Árabes Unidos, em pleno deserto de Dubai, foi construída a maior usina de transformação de resíduos em energia elétrica do mundo.
Pelas destacadas iniciativas em busca de sustentabilidade, Pindamonhangaba foi a única prefeitura convidada a participar da visita organizada pela ABREN (Associação Brasileira de Recuperação Energética). Os demais convidados eram representantes de estados como Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, além de técnicos da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), todos participantes da COP28.
“Aqui, no caso, eles fazem a queima total, com uma imensa estrutura de engenharia e tecnologia para que a geração mínima de resíduos, além de estudarem outras possibilidades de aproveitar esse resíduo. Temos que entender que o planeta é finito, os recursos são limitados e existe uma capacidade limite para o homem consumir e gastar energia”, disse o prefeito de Pindamonhangaba.
A cidade que está em busca de alternativas para reaproveitamento energético, entre elas, transformar lixo em energia elétrica. Em levantamento recente, a Abren estimou que quase 80 milhões de toneladas de lixo por ano poderiam funcionar como fonte de energia, como é feito em vários países.
A secretária de Meio Ambiente de Pindamonhangaba, Maria Eduarda San Martin, explicou como a usina de Dubai realiza a combustão do lixo, gerando calor. O processo resulta em vapor de água que aciona as turbinas da usina e gera energia elétrica.
“Depois da combustão, cerca de 20% que sobra, em forma de cinzas, é reaproveitado na construção civil, para pavimentação e outros artefatos de concreto. Além disso, resíduos metálicos que sobram do processo de queima do lixo é vendido. Havendo destinação, reaproveitamento e transformação de tudo”, resumiu a secretária.
Energia limpa - De acordo com informações passadas à comitiva, o sistema funciona como um grande convênio entre o governo local com empresas responsáveis pela construção da usina, gerenciamento e operacionalização. Assim, o lixo que chega à usina é ‘transformado’ em energia, que é utilizada na própria cidade, além da geração de outros itens que são reaproveitados.
“Em linhas gerais, fomos convidados a visitar essa usina hoje e debatemos a questão do lixo com representantes de outros estados do Brasil, com técnicos da ANEEL. Conhecemos todo o processo que eles fazem, desde o sistema de coleta, de transporte até a destinação para a usina, bem como o processo de transformação do lixo em vapor, e sua utilização para o funcionamento das turbinas que geram energia. Também analisamos como são as relações entre governo, empresas públicas, privadas e parceiros. É uma grande experiência e que vai ajudar muito a Pindamonhangaba a pensar no futuro”, concluiu o prefeito Dr. Isael.
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