Sunday, 27 de September de 2026
30°

Chuvas esparsas

Pindamonhangaba, SP

ESPECIAIS PINDAMONHANGABA

A brisa ainda sussurra canções no Km 105 da Via Dutra

Mesmo passados mais de 70 anos de sua morte trágica na Via Dutra, Francisco Alves ainda é alvo de muitas pesquisas na internet

27/09/2026 às 14h14 Atualizada em 27/09/2026 às 15h15
Por: Ocimar Barbosa
Compartilhe:
Crédito: Da Redação
Crédito: Da Redação

No Km 105 da pista sentido Rio, da Via Dutra, as placas indicativas apontam para a cidade de Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba. Naquele ponto, parece que a velocidade dos veículos diminui, há uma sensação de abertura de um portal do tempo. Ali, é como se a brisa sussurrasse canções e acordes de um violão.

Imagine um tempo muito distante, quando o Brasil ainda dava seus primeiros passos para se configurar como uma nação de cultura e música própria. Até então, era maxixe e chorinho o que se ouvia nos gramofones, além de versões de ritmos europeus como valsa e polca.

A partir do surgimento em 1917 da música “Pelo Telefone” de Donga e Mauro de Almeida, considerado o primeiro samba oficial gravado, eis que um universo se abre um tão aguardado elemento cultural. Era o ícone que a sociedade brasileira tanto buscava.

E foi assim que o Rio amanheceu cantando. Chegava um estilo nacional, um jeito brasileiro de ser e que nascia com sucesso comercial e grande repercussão. Todavia, por conta do berço nos redutos negros do Rio de Janeiros, como os bairros do Estácio e Catumbi, propagar o estilo não era tarefa fácil.

Nesse cenário surgiria um jovem branco, chover de praça que passou a infância cantando nas ruas para defender alguns trocados. Francisco de Moraes Alves era um homem alto e esguio, filho de comerciante português, ávido pelo protagonismo que sabia ser seu.

Francisco Alves transformou-se repidamente em ícone do Brasil da Era do Rádio. Não por acaso, o leonino nascido em 19 de agosto viria a ser chamado de “Rei da Voz”. Mesmo passados mais de 70 anos de sua morte trágica na Via Dutra, ainda é alvo de muitas pesquisas na internet.

Sempre com o companheiro violão, fazia ecoar o vozeirão de tenor que nos dias atuais não dependeria dos aparatos técnicos das mesas de som. O artista deixou uma marca inesquecível no imaginário popular quando a música brasileira ainda era a única dona do gosto popular.

Era dia dos santos católicos Cosme e Damião e o país parecia ter perdido alguém da família. Com a autoestima em baixa desde 1950 após a perda da Copa do Mundo no Maracanã, a população tinha se apegado a sua única referência.

Sem o vulto de Chico Viola, o Brasil sentiu-se órfão e também partiu naquele tarde de 27 de setembro. Quando voltou, não era mais o mesmo!

 

27 de setembro    Francisco Alves    Via Dutra    Diário Imparcial

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários