
No final de agosto aconteceu o encerramento dos 21º Jogos Municipais do Idoso (JOMI) de Pindamonhangaba. O evento surpreende pelo exemplo de força, empenho e vitalidade dos idosos. Em alguns casos, pessoas emergem como inspiração para uma sociedade carente de protagonistas.
Em 2026 uma ausência foi sentida, na delegação do Jomi e pelos que acompanham nas arquibancadas. Não foi vista nas piscinas a recordista de medalhas de ouro da cidade, Dona Maria. Afastada das competições por recomendação médica, a nadadora de quase 94 anos se recupera em sua residência.
O corpo não permitiu esforços neste ano e deu seus sinais naturais de que precisava de uma pausa. Esse confronto consigo mesmo e seus limites deixou a idosa valente bastante contrariada. “Saber que está todo mundo lá representando a cidade, participando, e eu aqui afastada... Não sei se vou aguentar!”, lamentou.
Autêntica - Nascida no bairro do Pinhão, Maria José de Macedo tem a autenticidade da roça. Sua infância foi cercada de verde, pássaros, águas cristalinas e forças da natureza.
Há cerca de 25 anos e perto dos 70 anos de idade, para obter resistência e qualidade de vida, ela passou a participar de atividades aquáticas e hidromassagem. Logo, começou a se destacar pelo rendimento nas piscinas e chamou a atenção por seus resultados acima da média.
Os convites para defender a cidade não demoraram. Em 2001 foi convidada a representar Pindamonhangaba nas competições esportivas entre os idosos, como o JOMI e JORI. Desde então virou uma colecionadora de medalhas de ouro. Suas conquistas não se limitaram ao Vale do Paraíba e Litoral Norte.
Família - A nadadora sempre teve seu ao lado o apoio dos filhos e do esposo, João de Macedo, de 96 anos. O casal compartilha 77 anos de uma vida em comum, longeva e rara nos dias atuais. Seu João é calmo e observador, participa de tudo, inclusive das práticas esportivas que envolvem a esposa. O casal gosta de dançar a dois.
A atleta Maria José é admirada em toda a cidade e marcou firme presença não só no esporte da Melhor Idade. Seu João estava sempre nas proximidades, levando apoio à esposa em desfiles de moda no CCI (Centro de Convivência de Idosos), desfile de 7 de Setembro, além do carnaval.
Casa de Bamba - Dona Maria tem ainda outra paixão: o samba. Foi a matriarca de uma das escolas de samba mais icônicas da cidade, a Mocidade Unida. Nos anos 80 era a incentivadora do então presidente da agremiação, o filho Dinho Macedo, comerciante muito conhecido na cidade. Mas com ela nada se resume apenas em incentivo.
Maria José era uma espécie de “Tia Ciata” do Campo Alegre. Colocou a mão na passa literalmente, produziu fantasias, organizou e desfilou. “Eu adoro sair de baiana no carnaval. Depois que a Mocidade parou eu desfilei em outras escolas e blocos, mas não é a mesma coisa que estar no seu bairro e ver a escola de samba ser montada no quintal de sua casa”, disse ele saudosa dos bons tempos.
Saudade boa - Algumas singelas caixas de papelão em sua residência guardam um pouco desse tempo bom, do carnaval sadio, da família nas ruas. Parte dos antigos desfiles carnavalescos de Pindamonhangaba reside em álbuns de fotos, recortes de jornais e letras de músicas.
Dona Maria José de Macedo dedicou todo o amor que carrega na alma à família. É uma autoridade popular do bairro, amiga dos bons amigos e fonte de inspiração aos que têm sonhos e convicções sadias.
Diz o dito popular que “quem tem amor tem saudade”. E essa memória afetiva hoje é compartilhada aqui, em uma modesta reportagem de agradecimento, principalmente dos amigos do esporte.
Ora Viva, Dona Maria!
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