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POLÍCIA SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Polícia Federal investiga tráfico de mulheres em quatro estados brasileiros

Uma das vítimas de exploração sexual tem família em São José dos Campos

18/12/2024 às 11h45 Atualizada em 19/12/2024 às 08h13
Por: Redação
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Crédito: Polícia Federal
Crédito: Polícia Federal

Quatro estados brasileiros estão na mira da Polícia Federal que deflagrou nesta quarta-feira (18) a Operação Catwalk contra o tráfico internacional de mulheres. Segundo informou a PF, uma das vítimas tem família no Vale do Paraíba.

As diligências tiveram início após denúncia feita pela mãe de uma das mulheres, residente em São José dos Campos. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão durante a operação que foi deflagrada em quatro estados do Brasil: São Paulo, Santa Catarina Paraná e Rio de Janeiro. 

Quatro mandados foram cumpridos pela PF nas residências investigadas, onde foram apreendidos diversos passaportes, isso porque as vítimas recebiam oferta de trabalho de uma suposta agência de modelos que atuava no exterior. 

A PF constatou que a suposta agência não existia. Os agentes apuraram ainda que agenciadoras já atuavam com a exploração sexual em território nacional. Os policiais federais conseguiram interceptar o envio da filha da pessoa que denunciou o esquema criminoso.

Medidas cautelares foram tomadas, entre elas a proibição de novas emissões de documentos de viagem e o sequestro de bens. De acordo com a PF, também foi proibido judicialmente o acesso às redes sociais por meio de seus perfis e dos investigados se comunicarem entre si.

A denúncia - A investigação teve início a partir da denúncia feita pela mãe de uma das vítimas. A jovem residente em São José dos Campos recebeu um convite de uma falsa agência de modelos, do Rio de Janeiro, que selecionava garotas.

Na prática, a organização criminosa aliciava jovens com um perfil especifico, o que incluia aparência infantojuvenil. Os criminosos prometiam vagas de trabalho como modelo no exterior e uma vida de luxo e conforto. 

Vida em cativeiro - As vítimas tinham o passaporte retido pelas aliciadoras e eram levadas para Dubai. A partir daí, as aprovadas seguiam para a Arábia Saudita e também países europeus, asiáticos e EUA, onde permaneciam por até 180 dias.

No território estrangeiro, as jovens eram monitoradas e não tinham nenhum tipo de liberdade. Elas recebiam uma vida de aparente conforto e luxo material, mas eram mantidas em regime de exploração sexual. As garotas eram incentivadas a postar imagens de ostentação em suas redes sociais.

A investigação concluiu ainda que contrato feito entre agência e as garotas continham cláusulas abusivas, tais como a previsão de multas milionárias e a exigência de exame de DST, exercendo coerção sobre elas, de modo que eram desestimuladas a desistirem.

Atividades sexuais - As investigações identificaram 10 vítimas e também que o movimento da falsa agência de modelos girava em torno de dezenas de mulheres enviadas todos os meses. 

“Além disso, foi apontado que houve pelo menos um caso de ameaça e efetiva agressão física contra uma das vítimas a fim de garantir o repasse das comissões pelas atividades sexuais, que chegavam a 60%”, informou a Polícia Federal.

Os financiadores faziam os depósitos em criptomoedas para dificultar serem identificados.

A Operação Catwalk prossegue com vistas a identificar atividades paralelas e outros envolvidos.

 

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