Poucas & Boas: Centrão já começa a preparar terceira via para 2022

A resenha política da sua cidade

"A situação econômica está tão preocupante, que agora eu tomo banho sem chinelo só para não enferrujar o prego"

Brasileiro não desiste!

Ainda que impere a solene vassalagem e imbecilidade em boa parcela da classe política dessa nação (ainda há exceções), a esperança de sair do limbo permanece. Apesar de que eu estou desconfiado que o Brasil está passando pano para os erros do passado só para planejar os erros do futuro. E a cada semana há um episódio novo, digno de um meme, que mostra o quanto estamos escandalosamente mal servidos nas esferas, estadual e federal.
Começando mais uma coluninha. Preparem os sais!

DoriaVac x BolsoVac
Senta que lá vem história! Foi só o senhor João Agripinio Dória Junior anunciar uma vacina 100% brasileira, o presidente Jair Bolsonaro reuniu às pressas a sua trupe ‘Fucker and Sucker’ e também anunciou sua versão brasileira de vacina. Agora teremos a ButanVac e a BolsoVac! Esse país não é para amadores!

Brasileira, é?
Aliás, não é bem assim, Agripino! A vacina que o governador paulista anuncia como 100% nacional, na verdade é binacional (ou até multinacional). Na sexta-feira (26), o Hospital Mount Sinai, nos Estados Unidos, anunciou ter firmado parceria com o Instituto Butantan para fabricar uma vacina contra a Covid-19. O governador omitiu o nome dos parceiros internacionais na produção que será em sistema de licenciamento "royalty-free". Assim não dá, Agripino! Coisa de louco hehehe


Nein, nein
Antes de 1933, dizia-se até que Hitler parecia ser meio bobo. Os alemães não o levaram a sério, até faziam chacota (o que nos tempos atuais chamamos de memes). A história conta que o povo alemão, cansado de viver em um país sem futuro e de economia medíocre, resolveu apostar em alguém que fechava os punhos e promovia discursos raivosos.
Meu falecido pai tinha uma frase que sempre falava no trabalho: “É boi sonso que derruba cerca!”

Perda na imprensa
A perda do jornalista, radialista e advogado José Carlos Cataldi na tarde de sexta-feira (26) em Pindamonhangaba foi o assunto mais comentado nesse final de semana. Cataldi militou nos principais veículos do país, entre eles as poderosas rádios Tupi e Globo do Rio de Janeiro, no cargo de redator. Nascido no Rio de Janeiro, e como todo bom carioca, Cataldi era sujeito de papo linear, participativo e brincalhão. Fez inúmeros amigos na cidade.

Repercussão
O morte de Cataldi foi divulgada nos grandes jornais brasileiros. Estabelecido há anos em Pindamonhangaba, foi colunista do Jornal da Cidade e atuou ainda no São José dos Campos Diário e Rede de TV Novo Tempo. Pautada pelo jornalista Ancelmo Gois (O Globo), a grande imprensa atribuiu a morte à falta de vagas de UTI em Pindamonhangaba, o que foi prontamente contestado pela Prefeitura local.

Lá vem um sacode!
Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, encabeça um encontro para debater as questões climáticas, do qual foram convidados 40 países. Nesta última sexta-feira (26) Biden oficializou o convite a 40 líderes internacionais, entre eles o presidente Jair Bolsonaro. Claro que o Brasil receberia esse convite, afinal, o nosso país é o centro das discussões. Sei que não vou precisar fazer desenhos, entendedores entenderão!

Na contra-mão
Como havíamos dito em uma edição anterior desta coluna, o mercado econômico já traça planos, mexe os pauzinhos e demonstra toda a sua insatisfação com o que ocorre com a economia brasileira. A cada pisada no tomate, é mais uma alta da moeda americana e mais baixa na bolsa. O Brasil colapsou. O sistema de saúde simplesmente está atônito, principalmente depois de quarta-feira (24), quando o país ultrapassou a marca de 300 mil mortes por Covid-19.

Era pra fazer em 2020
No Vale do Paraíba, as cidades já começam a enfrentar 100% de ocupação de leitos de UTI sem ter alternativas de reposição, caso de Cruzeiro. Taubaté chega a 98% de ocupação de UTI e 100% de Enfermaria.
Quanto a novos casos de contaminação, Taubaté registrou recorde ontem com 361 casos, e quebrou hoje com um novo recorde: 486! 

Na contramão
Todo o resto do planeta se prepara para reativar as atividades econômicas, mas aqui, por negligência e falta de ações eficazes, o Brasil o que faz? Segue na contramão, fechando tudo agora quando deveria ter feito isso no início de 2020.
E vamos ser claros, não há qualquer sinal de que a vacinação consiga empreender um ritmo consistente a ponto de conter a contaminação. 

Centrão se irrita
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o mesmo que foi eleito com apoio do presidente Bolsonaro, agora é o primeiro a subir o tom. Isso já era esperado, porque o chamado Centrão faz o jogo dos grandes grupos empresariais e boa parte desses investidores já desembarca do navio sem comandante. Lira mandou um recado ao Planalto dizendo que crise vai acabar exigindo 'remédios amargos, alguns fatais'. Segundo ele, “tudo tem limite” e foi apertado o sinal ‘amarelo” para quem quiser enxergar.


Teatro do centro
O que ocorreu na verdade é uma encenação, com planejamento para 2022. O projeto do Centrão foi justamente esse: atrair Bolsonaro e conseguir recursos na ordem de R$ 3 bilhões, como eu já citei antes, quando foram beneficiados 285 congressistas (250 deputados e 35 senadores). Após eleito presidente da Câmara, Arthur Lira dá prosseguimento ao plano. O procedimento dos centristas é se desvincular do confuso governo, enquanto busca um nome para terceira via. Todos sabem que tanto a extrema-direita como a esquerda cambaleiam pela falta de credibilidade.


Duas sílabas
Se os meus inteligentes amigos internautas repararam, os gritos de saudação não possuem mais que duas sílabas. Vamos começar então pelos times de futebol. A torcida flamenguista não entoa gritos de “Flamengo”, mas sempre em duas sílabas: “Men-goo”. No Botafogo seria pior, pois ninguém gritaria quatro sílabas compassadas, daí inventaram o dissílabo “Fo-goo”; no Corinthians ficou “Ti-mão”, no Palmeiras “Por-coo”

Pega Rex!
Na política o processo seria o mesmo. Trilhando aqui o raciocínio do jornalista Ariel Palácios (GloboNews), na Espanha do ditador generalíssimo Franco era fácil, com duas sílabas. Na Itália, Mussolini percebeu a dificuldade que teria e criou o “Du-ce”. No Brasil, ninguém gritaria Luiz Inácio, sendo mais fácil entoar “Lu-la”. Para Ciro Gomes, também não é complicado.
Vamos então partir do princípio que o ‘mecanismo’ é esse, tipo: pega, senta, quieto, deita, rola... hehe.

Um molde apenas
Fui mais além que Ariel Palácios, também de tanto observar o comportamento humano. Nesse aspecto, o dissílabo ocupa mais facilmente o subliminar das pessoas como um comando dado para que a massa responda em delírio, chore, ria, cante hinos de clubes, louvores desconexos. Gente em delírio pode atear fogo em si mesmo acreditando estar prestando serviços inestimáveis à sua pátria e ao seu Deus. O Oriente Médio não nos deixa mentir. Consegue entender como é que eu, você, os outros, todos podemos ser manipuláveis? Mas isso é a natureza humana e até dos animais.

Carente de heróis
Quem conhece as histórias dos pássaros Chupim e Tico-Tico vão entender a relação. No caso de um país carente de heróis, embora muitos queiram fazer crer que o coro “Mi-to” para Bolsonaro surgiu simplesmente da mente brilhante de jovens desocupados de capacidade intelectual questionável, parece que a coisa não é bem essa. Agiram mentes especiais, com alguém que se destacava em determinado momento, sendo moldado ao respeito que o brasileiro tem pelas Forças Armadas. Resumindo: se não existisse Bolsonaro, seria outro.

Claro que os opositores não deixaram por menos e criaram outro dissílabo, mas aí, tem um ex-palhaço que não gostou nada. hehe

E chega de papo por hoje!
Contato: ocimarbarbosa@diarioimparcial.com.br