A rotina de uma mãe não é fácil; a de uma mãe autista, ainda mais. O empenho e a atenção é constante e resulta em constante esgotamentos físico e psicológico. Nessa reportagem exclusiva, a pedagoga Bárbara Meklin, de Pindamonhangaba, conta como é a rotina de uma mãe atípica, algo que implica duas vezes mais responsabilidades.
“Quando me perguntaram como é ser mãe de Autista, como é ser Mãe Atípica, a primeira palavra que vem na minha cabeça é cansaço, a outra é medo. Medo do amanhã, medo do futuro. Existe um artigo que diz assim: "O nível de stress de Mães Atípicas se assemelha com o stress crônico apresentado por soldados combatentes".
Formada em A.T (Acompanhante terapêutico) para Autistas e cursando Pós-graduação em TEA (Transtorno do Espectro Autista), Bárbara vem mobilizando pessoas que passam pela mesma situação para um encontro nesta quarta-feira (19). O evento será realizado no centro comunitário do Alto do Cardoso (AMBAC) e terá a participação de profissionais solidários como psicólogos, psicopedagogos e pais.
“Eu espero realmente poder ajudar outras mães ao falar da minha vivência e o que deu certo. Quero passar o que aprendi em todos os cursos que eu fiz porque no início é muito difícil e eu errei bastante por falta de conhecimento”, pontua, salientando que o diagnóstico não é uma sentença.
A educadora considera que a convivência e cuidados com o filho Elias, de 4 anos, a transformou em um ser humano melhor a cada dia. Bárbara ressalta que nunca encarou como um peso a ser carregado, pelo contrário, entende que é um amor sublimado pela sua incondicionalidade.
Quando Elias tinha um ano e oito meses, a professora percebeu algumas diferenças de conduta do filho em relação às outras crianças. Ao levar o garoto a um neuropediatra, descobriu o diagnóstico de autismo. Diz que a partir de então teve que aprender coisas novas. E foi à luta, sem ‘coitadismos’.
“Antes de você ter um bebê você lê, se informa, compra livros sobre maternidade. De repente, descobre que seu filho é uma criança especial, ou melhor é Autista. Você vai ter que aprender um mundo de coisas que nem imaginava, como crise sensorial. Vai aprender a lidar com distúrbio do sono, comportamento de agressividade, lidar com a frustração dele por ouvir um ‘Não!’”, esclarece.
Tarde Azul - Nesta quarta-feira, o evento Tarde Azul contará com a palestra da pedagoga Bárbara Meklin tem por objetivo ajudar outras mães de crianças autistas no aprendizado de lidar com as crises, além de terapias ao longo da semana. O encontro terá palestras, dicas para autistas, oficina sensorial, oficina de jogos e outras ações.
A realização, segundo Bárbara, não conta com recursos públicos, mas com gastos do próprio bolso e solidariedade. “Precisamos de apoio, queremos uma verdadeira inclusão. E queremos que nossos filhos não sofram preconceitos, mas também que não sintam penas de nós. Só queremos respeito àquele que são diferentes!”
As atividades acontecerão no centro comunitário localizado à Rua Adolfo de Campos Maia, 55 (ao lado da Igreja de São Cristóvão) à partir das 15h.