ESPECIAIS HISTÓRIA PERDIDA
Primeira referência histórica de Pindamonhangaba em documento de 1628
Uma das teorias de fundação de Pindamonhangaba aponta uma carta de doação de sesmaria em 1649 ao Capitão-Mor João do Prado, que já vivia nessas terras com a família, agregados e escravos, desde 22 de julho de 1643
10/07/2023 00h04 Atualizada há 3 anos
Por: Redação
Rua Dep. Claro César no início do Século XX (Crédito: Acervo Municipal)

Ocimar Barbosa
A verdadeira origem de Pindamonhangaba ainda é motivo de discordâncias, tendo em vista a falta de documentos que atestem o momento na história que sirva como marco inicial. Portanto, mergulhar nesse contexto é algo sedutor, mas pode ser contraditório. Encaixa-se nessa situação a observação da historiadora Ebe Reale, quando ela diz que não tem  “a preocupação de adentrar o matagal dos primeiros tempos da povoação”.

O que não foge à regra é que tudo o que envolve o surgimento da cidade sempre começa com aquela que parece ser a primeira citação do nome Pindamonhangaba em um documento de 1628, do historiador Pedro Taques de Almeida Pais Leme. O registro cita o nome do sertanista Jaques Félix, personagem central da ocupação do Vale do Paraíba e fundador do primeiro núcleo oficial da região em 1645: Taubaté.  

Guardado no Sistema de Arquivos do Estado de São Paulo (fonte de maioria dos historiadores), o documento diz que “A 21 de novembro de 1628, em Angra dos Reis, João de Moura Fogaça capitão mór de S.Vicente, concedeu a Jacques Felix e a seus filhos Domingos Dias Felix e Belchior Felix, para cada um, uma data de terras que ia de Pindamonhangaba a Tremembé, e outra margeando o Paraiba, na tapera do gentio.”

O termo 'Gentio" era como o português e primeiros colonos chamavam o indígena em suas taperas. Nesse período, portanto, Pindamonhangaba já existia pelo menos como paragem dos viajantes, local onde os que faziam as trilhas descansavam e alimentavam os animais.

O historiador pindamonhangabense Waldomiro Benedito de Abreu, em um de seus livros, dá ênfase a uma sesmaria concedida ao Capitão-Mor João do Prado Martins em 17 de maio de 1649: "uma légua de terra à margem direita do rio Paraíba, na paragem denominada Pindá Monhangava".

O pesquisador ressalta que a carta de doação da sesmaria tem outras citações onde confirma que João do Prado já vivia nessas terras com a família, agregados e escravos, desde 22 de julho de 1643. Sob a ótica de Waldomiro Benedito de Abreu, o fato de ter sido, supostamente, o primeiro habitante do lugar já seria suficiente para conferir ao capitão-mor o título de verdadeiro fundador da cidade.