Brasil vive pior momento desde o início da pandemia e precisa reagir para não se isolar do mundo

Em artigo voltado para o mercado econômico, CEO da Urban Systems reflete sobre o comportamento brasileiro diante da Pandemia



Thomaz Assumpção
A pandemia da COVID-19 literalmente transformou o mundo e a vida das pessoas como nunca poderíamos imaginar. Além de todas as mudanças na maneira de viver, se relacionar, no âmbito econômico e ambiental, o coronavírus mostra que vivemos numa comunidade global, cada país tem o seu papel e não existe a possibilidade de vivermos isolados do resto do mundo. Enquanto assistimos um declínio da doença em diversos países e uma corrida pela vacinação em massa, o Brasil vive seu pior momento desde o início da pandemia com recordes diários de mortes e novos casos.

Segundo balanço divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS)* no último dia 17 de março de 2021, o Brasil foi responsável por 21% das mortes decorrentes da COVID-19 do mundo inteiro entre os dias 7 e 14 do mesmo mês. O Brasil também lidera no número de novas contaminações entre todos os países. Diariamente, vemos nos noticiários, cidades, estados e o país batendo novos recordes deste indicador.

Esses números são noticiados ao redor do mundo e as consequências disso para o País podem ser mais graves do que se imagina. Se a situação continuar a evoluir dessa maneira o Brasil torna-se um risco sanitário mundial e passará a sofrer graves sanções internacionais.
 

Aprendizado - Não é fácil falar sobre aprendizado em uma situação que trata da vida das pessoas. Mas a maneira como o Brasil lidou com o quadro pandêmico está ensinando da maneira mais dura que somos parte de um planeta e não existe nenhuma possibilidade de que, qualquer País, saia sozinho dessa situação. É necessário um esforço mundial para que o vírus pare de circular.

É importante olhar para o exemplo de outros países, aqueles que passaram pelo início da pandemia antes do Brasil, e buscar soluções conjuntas. A economia é globalizada e, no momento, o agronegócio e a exportação de seus produtos tem sido um dos grandes pilares de sustentação da nossa economia. No entanto, caso a situação se agrave ainda mais, até esses produtos podem sofrer sanções internacionais.

No momento, a vacinação parece ser a única solução para a retomada econômica em todo o mundo. Felizmente, mesmo com atraso, o Brasil começa a vacinar a sua população e, somente a partir daí, será possível um efetivo processo de retomada econômica nacional.

Onde começa a mudança - Um dos grandes legados deixados pela pandemia foi o empoderamento dos estados e municípios frente o Governo Federal. Desde antes da pandemia as cidades brasileiras já encontravam dificuldades em se manter e começaram a buscar mais independência em relação a recursos estaduais e federais, buscando suas próprias parcerias público privadas. Com a chegada da pandemia, os estados e cidades precisaram retomar o seu protagonismo e estudar soluções adequadas para as particularidades de cada região.

Agora, as cidades também se unem pela vacinação, o que pode acelerar o processo no País todo. Por esse motivo, acredito que a mudança começa do pequeno para o grande, da cidade para o País. Estamos todos conectados e o que fazemos aqui reflete em todo o mundo.

É claro que não podemos falar de mudança, de crescimento e aprendizado sem falar da população. O esforço não deve vir apenas do poder público. É preciso uma consciência individual de que estamos em meio a uma pandemia e temos que seguir protocolos mundiais, que estão sendo exaustivamente repetidos durante todo o ano de 2020 e início de 2021.

As pessoas são agentes do processo de transformação, não adianta buscar culpados o tempo todo e continuar participando de aglomerações clandestinas, por exemplo. O que observamos nos últimos meses no País foram diversas festas, com milhares de pessoas, que parecem não ter consciência do papel de propagadores do vírus que estão assumindo.

Observando o resto do mundo sabemos que o isolamento social é eficaz para evitar a propagação do vírus. Também entendemos que, no momento, as vacinas aprovadas pelas agências reguladoras são consideradas pelas autoridades de saúde mundiais como únicas opções para diminuir as mortes e internações em função do coronavírus.

O que parece faltar é cada indivíduo entender o seu papel junto a sua família, aos amigos, na sua cidade, estado, país e no mundo. Acredito que esse aprendizado seja um dos mais importantes a serem deixados pela pandemia: nossas atitudes e decisões não refletem somente nas nossas vidas, mas na vida de todo o mundo.